Um passeio pela história da maçonaria no Brasil (Parte 2)

22/01/2015 09:31

Como vimos antes na Parte 1 deste trabalho, os ideais maçônicos libertários já nos influenciavam na inconfidência mineira, quiçá até mesmo antes. Abaixo transcreverei um texto chamado “Breve Resumo histórico da Maçonaria do Brasil” oriundo da página da Augusta e Respeitável Loja Integridade filiada ao GOP, do qual eu tecerei alguns comentários, e para evitar confusão os mesmos estarão em negrito.

                “Embora tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1787, com a Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, só em 1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira Obediência, com jurisdição nacional, exatamente com a incumbência do levar a cabo o processo de emancipação do país. 1800/1801 - Maçons portugueses fundam no Rio de Janeiro a Loja ‘União’, que mais tarde passou a denominar-se ‘Reunião’ por terem a ela filiado outros maçons. Com as Lojas ‘Constância’ e ‘Filantropia’, filiou-se em 1800 ao Grande Oriente Lusitano. Separou-se, porém, por terem surgido discórdias e filiando-se ao Grande Oriente da  França, adotando o rito Moderno.                                                                                                                                                                                        

Reunião dos Cavaleiros da Luz discutindo o fim da opressão colonial.¹

               
                Em 1802 é instalada na Bahia a Loja ‘Virtude e Razão’, da qual saíram, em 1807, a Loja ‘Humanidade’ e, em 1813, a Loja ‘União’.
               
                Em 1807, em três de março, ressurge a Maçonaria no Brasil com a instalação da Loja ‘Virtude e Razão Restaurada’, na Bahia.

                Em 1809, D. João, Príncipe Regente, ao receber uma longa lista de nomes de maçons, para serem presos, respondeu nesses termos: “Foram estes que me salvaram’.

                Em 1809 funda-se em Pernambuco uma Loja da qual fizeram parte os padres Miguel Joaquim de Almeida e Castro, João Ribeiro Peixoto e Luiz José Cavalcante Lins. Esta Loja teve intuitos puramente políticos e os padres que faziam parte do seu Quadro tinham sido iniciados em Lisboa em 1807.

                Em 1812 funda-se, na freguesia de São Gonçalo, Niterói, a Loja ‘Distintiva’. Essa Loja tinha sinais, toques e palavras diferentes das outras Lojas, tendo por emblema um índio vendado e manietado de grilhões e um gênio em ação de o desvendar e desagrilhoar. Era ela republicana e revolucionária. Denunciada, foi dissolvida, sendo lançados no mar, nas alturas da ilha dos Ratos, seus arquivos e alfaias.”

                A existência dessa loja se resume as linhas acima, pois eu virei e revirei a internet a procura de alguma matéria ou resquício da mesma e não encontrei nada além disso. O que não significa que as informações estão erradas, apenas que o registro da época era bem precário e que os que atentaram contra a existência da mesma fizeram seu trabalho bem feito.

                “Em 1813, na Bahia, é fundado o primeiro Grande Oriente com as Lojas ‘Virtude e Razão’, ‘Humanidade’ e ‘União’, que adormeceu devido a desastrosa revolução de 1817.”

                Sobre a criação desse primeiro Grande Oriente as datas se mostram diferentes em alguns artigos, assim como o do pesquisador, escritor do Blog “No Esquadro” e nosso Irmãos Kennyo Ismail que diz “Em 1809, atendendo às inúmeras Lojas que já existiam, foi fundado em Salvador o ‘Governo Supremo’ ou simplesmente ‘Grande Oriente’, a PRIMEIRA Obediência Maçônica brasileira. Não era um ‘Grande Oriente da Bahia’, como os poucos historiadores maçons que o citam costumam se referir, pois era composto de, pelo menos, 09 Lojas: 03 na Bahia, 04 em Pernambuco e 02 no Rio de Janeiro. Maçons portugueses e brasileiros, muitos deles iniciados na França e Portugal, eram membros dessas Lojas. Tudo isso 06 anos antes da fundação da ‘Comércio e Artes’ e 13 anos antes do GOB. Pernambuco, por contar com maior número de Lojas, ganhou em 1816 uma Grande Loja Provincial filiada ao ‘Governo Supremo’.

                Interessante observar que mais uma vez a Maçonaria se fez presente na história: um dos responsáveis pela formação do Governo Supremo e tido como primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Provincial de Pernambuco, Antônio Carlos de Andrada, foi o líder da Revolução Pernambucana, em 1817. Prova maior do papel decisório da Maçonaria no movimento é a lei régia de 1818 proibindo sociedades secretas no Brasil.”


                “Em 1815, a 12 de dezembro, na residência do Dr. João José Vahia, é instalada a Loja ‘Comércio e Artes’, que logo depois adormeceu.

                                Existia no Recife, em 1816, uma Grande Loja Provincial reunindo as Lojas ‘Pernambuco do Oriente’, ‘Pernambuco do Ocidente’, ‘Restauração e Patriotismo’ e ‘Guatimozim’.

                O ano de 1821 começara para D.João VI como principiara o de 1807. O Grande Oriente Lusitano levara-o, quinze anos antes, a transferir a sede do governo monárquico da Nação Portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. Decorrido três lustros, esse mesmo grande Oriente obrigá-lo-ia a retransferir a sede do seu governo do Rio de Janeiro para Lisboa.

                Em 1822, a 10 de março, por proposta de Domingos Alves Branco, a Loja ‘Comércio e Artes’ confere ao Príncipe D. Pedro o título de ‘Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil’. A 26 de maio, José Bonifácio é iniciado na Maçonaria. A 21 de maio, em plena sessão das Cortes, em Lisboa, o Maçom Monsenhor Muniz Tavares diz que - talvez os brasileiros se vissem obrigados a declarar sua independência de uma vez (A parte 3 desta peça tratará desse assunto a sua devida importância). A 2 de junho, José Bonifácio, com outros maçons, funda a sociedade secreta ‘Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz’, melhor conhecida com o nome de ‘Apostolado’, da qual fez parte D. Pedro, com o título de Arconte-Rei. A 5 de agosto, com a dispensa do interstício, D. Pedro é exaltado ao grau de Mestre. A 14 de setembro D. Pedro é investido no cargo de Grão Mestre no Grande Oriente do Brasil. A 4 de outubro, D. Pedro oferece a Gonçalves Ledo o título de marquês da Praia Grande que é por este recusado, com a declaração de ser muito mais honroso o de brasileiro patriota e de homem de bem. A 21 de outubro, D. Pedro, Grão-Mestre, manda a Gonçalves Ledo que suspenda os trabalhos no Grande Oriente. A 25, em decreto, D. Pedro determina o encerramento das atividades maçônicas. Diversos maçons são presos. Ledo consegue fugir para a Argentina.”

                Esse episódio é muito confuso para todos os maçons que reflitam sobre o tema, afinal, por que o Grão Mestre e imperador do Brasil mandaria fechar a ordem que tanto o ajudou? Muitos defendem que na época a Maçonaria se dividia em duas forças, uma conservadora e monarquista liderada por Jose Bonifácio e uma Republicana e progressista, liderada por Gonçalves Ledo, e que este segundo grupo estava com mais força e influência que o primeiro. Tendo em vista esse cenário, Dom Pedro I deu ordem para que o Grande Oriente fosse fechado por divergência nas lideranças. A outra hipótese é que em algum momento após a independência a Maçonaria pressionou o imperador a fazer o juramento prévio que estaria na constituição da nova nação e teria exigido três documentos em branco com a assinatura do novo imperador, e em retaliação ele teria mandado fechar a Maçonaria no Brasil.

                “ Em 1823, a 25 de março o Apostolado aprova o projeto da Constituição Brasileira. A 23 de julho, o Apostolado é violentamente fechado. A 20 de outubro, D. Pedro, Imperador proíbe as sociedades secretas do Brasil, sob pena de morte ou de exílio.

                A 13 de janeiro de 1825, o Maçom, frei Joaquim do Amor Divino Caneca é fuzilado no Recife.”

                 Uma nota no INFORMABIM – 326 confirma a identidade maçônica do Frei. Segue trecho da matéria no Blog Imprensa Maçônica:  “Nessa Loja Academia de Suassuna, o Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, já ordenado em 1801, foi iniciado maçom, conforme registro do padre Dias Martins, em seu livro Mártires Pernambucanos, publicado inicialmente em 1853. Nessa obra, o autor acrescenta terem ingressado na Ordem, na mesma Loja Maçônica, os senhores Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, irmão de José Bonifácio, e o padre Miguelinho.”

                A Loja Integridade (GOP) conclui o texto assim: “A 23 de novembro de 1831, o Grande Oriente do Brasil restabelece suas atividades, adormecidas desde 1822, sendo reeleito José Bonifácio de Andrada e Silva para o cargo de Grão-Mestre. Nesta oportunidade é lançado um manifesto a todos os Corpos Maçônicos Regulares do mundo contendo subsídios de extraordinária importância para a História do Brasil. Instala-se, a 12 de novembro, o Supremo Conselho do Rito Escocês para o Brasil, sendo seu primeiro Grande Comendador, Francisco Gê Acayaba de Montezuma, visconde de Jequitinhonha. No surgimento da Maçonaria em 1832, no Rio de Janeiro, existiam dois Grandes Orientes - o Grande Oriente do Brasil, presidido por José Bonifácio que teve sede na atual Rua Frei Caneca, e o Grande Oriente Nacional Brasileiro, presidido por Britto Sanchez, com centro à Rua dos Passos. Em uma cisão havida neste último, surge outra Potência, tendo como Grão-Mestre o marechal Duque de Caxias. O antagonismo e a animosidade que dividiam os grupos maçônicos levam este Grande Oriente a abater Colunas, depois de ser despejado por dificuldade financeira. Sem dúvida, não encontrara o Duque de Caxias, entre os maçons da época, espírito de cooperação e fraternidade.”

                Sobre a conclusão do texto, ainda hoje encontramos exemplos de falta de cooperação entre irmãos e o que nos resta, é fazer a nossa parte para não deixar que  ocorra o mesmo perto de nós.

                A história do inicio das lojas e potências Maçônicas no Brasil são muito mais extensas do que foi dito, mas acredito que os fatos de maior importância foram apresentados.

                Na terceira parte do trabalho apresentarei os fatos que levaram a nossa independência mais detalhadamente.

 

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