Um Embaixador Maçom na História da Maçonaria na Baixada Fluminense

10/03/2017 18:34

Após longo jejum ocasionado por minhas férias, trarei hoje aos meus leitores e Irmãos um achado na Baixada Fluminense. Trata-se da casa do 1º embaixador português no Brasil, chamado Martinho Nobre de Melo e para minha surpresa, essa casa que também é chamada de “fazenda” pelos populares das redondezas, fica bem pertinho de minha atual residência.

Fotografia Por Douglas Pimenta em fevereiro de 2017.

Quando ainda era uma criança, eu e minha mãe tínhamos o costume de caminhar até uma igreja no bairro do Formoso para o estudo dominical e para tanto nós percorríamos por uma apertada rua ladeada por uma ribanceira, que exibia bonitos girassóis e já saíamos na curva de uma suntuosa rua calçada com Pedra Sabão e ladeada de frondosas árvores (Acácias), que na primavera coloria a rua de amarelo e rosa. Hoje infelizmente os girassóis deram espaço a uma cortina de cimento, os moradores cobriram as pedras sabão com concreto e cortaram quase todas as árvores, deixando assim apenas duas Acácias.

Fotografia Por Douglas Pimenta em fevereiro de 2017.

Localizada no Morro do Embaixador, a casa do português tem acesso na Rua das Acácias (Nome de uma importante árvore na simbologia da Bíblia e da Maçonaria), que fica no bairro da Vila São Jose na Cidade de São João de Meriti (RJ). A construção é do Século XIX e em 2011 foi anunciado pela prefeitura que a antiga construção seria revitalizada, além de comportar novos edifícios (Inclusive um em formato de barco), formando assim um complexo cultural em homenagem a João Cândido Felisberto, líder da revolta da chibata, mais conhecido como almirante Negro. O Orçamento da obra ficou em torno de cinco milhões de reais que seriam oriundos do Governo Federal e a previsão seria de três anos, mas infelizmente já estamos em 2017 e nada mudou. Entrei em contato com a Prefeitura de São João de Meriti solicitando informações a respeito desse projeto ou se houve pelo menos o repasse da verba federal e até o fechamento dessa matéria não obtive resposta.

Fotografia Por Douglas Pimenta em fevereiro de 2017.

O Embaixador Maçom

Confesso que nunca me incomodei ou fiquei intrigado com o nome da Rua que dá acesso essas ruínas históricas até entrar para a Augusta Fraternidade, mas mesmo após meu ingresso, nunca procurei ou pesquisei a fundo, afinal, nada mais justo que uma rua onde é margeada por acácias, tenha o nome das mesmas. O que chamou minha atenção de volta a essas construções foram as fotos feitas por meu afilhado Douglas Pimenta em visita as ruínas. Agora vamos ao personagem em questão.

Imagem de Martinho Nobre de Melo. Disponível em: http://www.barrosbrito.com/pictures/martinho_nobre_de_melo.jpg. Acesso em março de 2017.

Martinho Nobre de Melo nasceu em 1891, na Vila Ponta do Sol situada ao norte da ilha  de Santo Antão em Cabo Verde. Aos dez anos foi enviado a Portugal a fim de continuar seus estudos no colégio jesuíta São Fiel. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e chegou a lecionar Direito na Universidade de Lisboa. Aos 26 anos foi Ministro da Justiça e aos 35 foi Ministro dos Negócios Estrangeiros. Figurou como Embaixador Português em Terras Tupiniquins de 1932 a 1945.

Ficha Maçônica de Martinho Nobre de Melo no Grande Oriente Lusitano. Disponível no Livro: A Maçonaria e a Participação de Portugal na I Guerra Mundial de Pedro Ramos Brandão e Antonio Chaves Fidalgo.

Segundo os Arquivos do Grande Oriente Lusitano, Martinho Nobre de Melo iniciou aos 21 anos de Idade, quando ainda exercia a função de advogado e em 1915 pediu o Quite Placet. Ao que tudo indica ele Entrou e saiu da Maçonaria Lusitana ainda aprendiz, pois não há mais registro em sua ficha além da data de sua iniciação, mas acredito-me que uma pessoa que perde total interesse na Ordem, não faria questão de pedir o Quite Placet. Não consegui achar nada que comprove um registro de sua vida maçônica no Brasil, mas devemos lembrar que ele foi embaixador no Brasil durante a ditadura de Vargas, ou seja, o mesmo presidente que mandou fechar nossa fraternidade.

 

Referências

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Tópico: Um Embaixador Maçom na História da Maçonaria na Baixada Fluminense

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